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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Tortura autoritária pelo bem da nação??!!!

#bbc #terrorfromusa

#noterrorism


A delicada cirurgia secreta em 'mentor do 11/9' que reforça polêmicas sobre Guantánamo

  • 17 outubro 2016

Mustafa al HawsawiImage copyrightAP
Image captionMustafa al Hawsawi foi detido no Paquistão em março de 2003; ele está detido desde 2006 em Guantánamo

Mustafa al Hawsawi é um dos cinco presos acusados do maior crime da história recente dos Estados Unidos: os atentados de 11 de setembro de 2001.
O cidadão saudita, de 48 anos, está detido desde 2006 na base militar americana de Guantánamo (situada na ilha de Cuba), onde aguarda um processo judicial que pede sua pena de morte.
Junto com outros quatro homens, ele é acusado de ser um dos mentores das operações financeiras que facilitaram os atentados que mataram quase 3 mil pessoas.
Mas seu julgamento ainda não aconteceu. E nesse meio tempo, Al Hawsawi foi diagnosticado com prolapso retal, uma doença que causa a exteriorização do reto (parte final do intestino) por meio do ânus.
O problema causa dores intensas, hemorróidas crônicas e fissuras anais. Em audiências preparatórias, Al Hawsawi teve que usar uma almofada para se sentar.
O advogado dele, Walter Ruiz, explicou à BBC que, como consequência da doença, seu cliente sofre com muitas dores. "Ele vive com muita dor, problemas para defecar e precisa reinserir seu reto toda vez que faz suas necessidades", disse Ruiz.

Causa e consequência

Mas qual é a relação entre a condição de saúde de Hawsawi e os atentados de 11 de setembro?
É o que tenta responder um relatório de 6,7 mil páginas sobre práticas de tortura da Agência Central de Inteligência americana, a CIA.

Protesto em frente à Casa BrancaImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionO caso de Mustafa al Hawsawi é semelhante ao de outros presos que não tiveram julgamento para determinar se eram culpados ou inocentes; organizações de direitos humanos já se manifestaram em defesa deles

Um resumo desse documento - que foi rejeitado pelo Senado americano em 2014 - revela que Al Hawsawi foi submetido a interrogatórios com "técnicas de controle de conduta" que o deixaram com a condição atual.
Capturado no Paquistão em 2003, ele levado a um centro de detenção na CIA em uma localização secreta e submetido a várias técnicas de interrogatório até 2006.
Entre elas, estavam exames retais com "força excessiva" e uma técnica de "rehidratação" por via anal, como método de "controle de conduta". Ele também foi submetido a técnicas de simulação de afogamento.
"Al Hawsawi clamava por Deus enquanto a água era derramada sobre ele e um dos interrogadores disse que foi por causa da temperatura fria da água", disse o relatório apresentado ao Senado citando testemunhas.
O prisioneiro também tem muitas dores de cabeça, nas costas e no pescoço por conta de uma técnica chamada "walling" (de muro, em inglês), que consiste em fazer com que uma pessoa bata o corpo contra a parede.

'Guerra contra o terror'

Os atentados de 11 de setembro deram início à intervenção militar dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque, a chamada "guerra contra o terror".
Após os atentados, o governo de George W. Bush abriu o centro de detenção de Guantánamo em 2002. Em 2006, o presidente fez um "reconhecimento público" da existência de um programa de detenção e interrogatórios da CIA.
A inteligência americana identificou, entre vários suspeitos, cinco homens como "mentores" da operação: Khalid Sheikh Mohammed, Ali Abd al Aziz Ali, Waleed bin Attash, Ramzi bin al Shibh e Mustafa Ahmad al Hawsawi.

GuantánamoImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionA prisão de Guantánamo surgiu em 2002, quando os Estados Unidos começavam uma ofensiva contra o terrorismo no Oriente Médio

Por serem suspeitos de terrorismo, sequestro de aeronaves, conspiração, ataques contra civis, lesões graves e violações ao direito de guerra, podem ser sentenciados à morte se forem condenados, de acordo com o Departamento de Defesa.
Mas nenhum dos cinco suspeitos foi acusado formalmente. Eles permanecem detidos por causa da Lei americana 107-40, que autoriza o uso de força militar contra quem "tiver planejado, autorizado ou cometido os atentados de 11 de setembro de 2001".
"Ao que parece, a autorização geral permite a prisão perpétua", afirmou um relatório do Grupo de Trabalho sobre as Detenções Arbitrárias da ONU.
No entanto, o advogado Walter Ruiz denuncia que seu cliente está em um "limbo legal", já que nunca foi acusado formalmente e muito menos condenado para estar na prisão.
"Até agora, ele segue sem ter uma data para julgamento e só tem passado por audiências preparatórias", disse Ruiz. "É o mesmo caso de outros quatro acusados, já que o processo é o mesmo", explica o advogado.

Ali Abd al Aziz Ali, Waleed bin Attash, Khalid Sheikh Mohammed, Mustafa Ahmad al Hawsawi e Ramzi BinalshibhImage copyrightAP
Image captionDa esquerda para direita, Ali Abd al Aziz Ali, Waleed bin Attash, Khalid Sheikh Mohammed, Mustafa Ahmad al Hawsawi e Ramzi Binalshibh, suspeitos do 11 de setembro

Organizações de direitos humanos que acompanham o caso, como a Anistia Internacional ou a britânica Redress, têm criticado a situação principalmente com base em uma parte do relatório apresentado no Senado.
Eles dizem que "muitos indivíduos foram submetidos a técnicas de interrogatório da CIA apesar de dúvidas ou questionamentos sobre seu conhecimento sobre terrorismo ou sobre a localização de líderes da Al Qaeda".
No caso particular de Al Hawsawi, um chefe dos interrogadores chegou a enviar uma carta à CIA em que afirma que "esse árabe não parece ser um gênio financeiro", como afirmava a inteligência americana.

Cirurgia secreta

As audiências preparatórias têm sido extenuantes para Al Hawsawi, segundo o advogado Ruiz, já que o movimento causa "muita dor e limita sua capacidade para se apresentar".
Em ocasiões o traslado até a sala de julgamento foi tão complicado que Al Hawsawi precisou parar e sentar em uma almofada para aliviar a dor, de acordo com Ruiz.
O advogado disse que seu cliente seria submetido a uma cirurgia - que pode inclusive já ter ocorrido - para poder lidar melhor com o transtorno e que ajudaria em sua defesa.
Mas ele considera "inaceitável" que não lhe tenha sido informado em que condições se daria a cirurgia, já que a operação é delicada e há dúvidas de que haja estrutura e instalações adequadas para tanto na base de Guantánamo.
A BBC solicitou ao Departamento de Informação detalhes sobre o procedimento cirúrgico, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

Torres GêmeasImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionOs atentados de 11 de setembro deixaram quase 3 mil mortos

O médico do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, Jonathan Woodson, que cuida do caso de Al Hawsawi, disse em uma carta no mês de março que, "por questões de privacidade", ele não pode fornecer esse tipo de informação.
Mas ele garante que orientou a equipe médica local a atender os pacientes com problemas de saúde física ou mental sob "juízo e normas padrões do que se aplica às equipes de Forças Armadas americanas".
Para o advogado Walter Ruiz, o primordial é que as autoridades "facilitem a reabilitação" de Al Hawsawi e, então, que se defina sua situação.
Para o Grupo de Trabalho sobre a Detenção Arbitrária da ONU, o fato de as autoridades americanas manterem Al Hawsawi é "arbitrária, já que contraria os artigos 9 e 10 da Declaração Universal de Direitos Humanos."

Guantanamo segue

Quando Barack Obama assumiu a Presidência dos Estados Unidos, assinou uma ordem executiva para fechar a base militar de Guantánamo - uma de suas promessas de campanha por causa das acusações de violações de direitos humanos.

ObamaImage copyrightGETTY IMAGES
Image captionBarack Obama assinou em 2009 uma ordem executiva para fechar a prisão de Guantánamo, mas em 2016 ainda restam 61 pessoas presas lá

No início de 2009, havia 242 presos no local, segundo o Departamento de Defesa e, desde então, a maior parte deles foi enviada a outros países - alguns sem acusações e em liberdade.
A três meses de Obama deixar o cargo, ainda restam 61 presos em Guantánamo e é provável que ele não consiga cumprir a promessa feita após dois mandatos. Entre os presos, estão os suspeitos mais importantes do 11 de setembro.
O presidente responsabiliza o Congresso americano, que é composto em sua maioria por representantes da oposição, por "impor restrições" para que os presos fossem enviados a outros países ou a outros centros de detenção nos Estados Unidos.
"A reparação adequada seria colocá-lo em liberdade e conceder-lhe o direito de obter uma indenização", conforme o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, segundo uma resolução aprovada em 20 de novembro de 2014.
No entanto, Al Hawsawi é suspeito do que o então presidente americano George W. Bush descreveu como um ato que "mostrou o pior da natureza humana" e sobre o qual prometeu "encontrar e punir todos os culpados".

sábado, 1 de outubro de 2016

Rondônia

No rastro do trem e da floresta, Porto Velho completa 102 anos

  

Fonte: Assessoria

Sábado, 01 de Outubro de 2016 às 10:24

Atualizado em 01/10/2016 às 10:42

Aos 102 anos de criação como município, a ser completados em 2 de outubro, Porto Velho ainda tem muito a conhecer. “O município foi criado em 2 de outubro de 1914 e a instalação ocorreu em 24 de janeiro de 1915. A posse do prefeito e de intendentes realizou-se na casa de Manoel Félix, na rua dos Portugueses”, lembra a escritora, professora e acadêmica de letras, Yêdda Pinheiro Borzakov, 77 anos.

Desta vez coincidindo com as eleições municipais, reaparecem no cenário personagens do século passado, entre eles, o primeiro prefeito, major Fernando de Souza Guapindaia, cuja gestão foi marcada pela construção do Cemitério dos Inocentes, da Escola Mista Municipal Jônathas Pedrosa, da cadeia pública e pelo arruamento da cidade.

Pelo menos um presente literário a capital ganhou nos 102 anos: na semana passada, os pesquisadores americanos, Gary e Rose Neeleman, lançaram o livro Soldados da Borracha: o exército esquecido que salvou a Segunda Guerra Mundial, obra que apresenta a história dos soldados da borracha, uma das mais dramáticas e não contadas naquele período (1939-1945).

Os autores ouviram diversas pessoas que contribuíram com a pesquisa do livro, e também consultaram o Congresso norte-americano a respeito. Paralelamente, tiveram acesso a eventos que revelaram raras experiências de milhares de homens que trabalharam e deram suas vidas para ajudar os países Aliados na busca da borracha na Amazônia Ocidental brasileira.

EXPLORAÇÃO DA MADEIRA

Basta olhar um mapa de 1917 para se avaliar o espaço urbano de Porto Velho naquele período. Só havia casas e outras edificações no trecho entre a margem do rio Madeira e a rua Joaquim Nabuco.

Assim, não pode se debitar somente a migrantes capixabas, catarinenses, gaúchos e paranaenses, principalmente, a devastação de grandes lotes de floresta em Rondônia. Derrubadas também ocorreram dentro do próprio município.

A inexistência de leis ambientais levaram a administração da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) a extrapolar os limites de 150 metros à direita e à esquerda do pátio ferroviário para retirar itaúba no mato, onde mais tarde seria construído o Hospital São José e o Colégio Maria Auxiliadora.

“A direção usava essa madeira para fazer dormentes, distribuía lotes a pessoas que tinham a sorte de consegui-los, e cobrava impostos de proprietários de animais”, comentou a escritora.

Era o que a escritora classifica de atos incompatíveis com o regime ferroviário, por parte de mister W. Little, gerente da construtora da EFMM. Foi preciso a intervenção do então governador do Amazonas, Jônathas de Freitas Pedrosa, para autorizar o uso dos dormentes.

Yêdda desmistifica versões. Uma delas falando de suposta aversão do governador Aluízio Ferreira a pessoas negras. Aluízio governou de 1º de novembro de 1943 a 7 de fevereiro de 1946. Foi também o primeiro presidente da EFMM, a partir de 10 de julho de 1931.

“Judith Holder e o marido Percy Holder casaram-se, e logo moraram no bairro Caiari, o “elegante da época”, cujas casas foram inauguradas em 1940. Ali também viveram os notáveis Enos Eduardo Lins e Ananias Andrade, também negros. Judith morreu em 2015, aos 101 anos.

De alguns anos para cá, as casas do bairro Caiari estão sendo reformadas e a maioria teve suas projeções arquitetônicas modificadas.

Da EFMM, pouco do que restou das peças centenárias e de algumas rodas, armários, cofres e outras ferragens da Madeira-Mamoré encontram-se num depósito alugado em 2015 pela prefeitura de Porto Velho, na zona Sul da cidade.

Em andanças com grupo de estudos formados por historiadores e universitários, Yêdda constatou em Candeias do Jamari outro marco divisório desses estados.

Ironia do desconhecimento e da zombaria: a Praça Marechal Rondon (denominação dada por decreto) passou longo tempo conhecida por Praça Rondon e descambou para “Praça do Baú”, por causa do nome de um estabelecimento comercial na esquina com a Rua 7 de Setembro.

No livro Porto Velho – 100 anos de história (1907-2007), Yêdda resgata, entre outros aspectos, a construção da ferrovia, grupamentos militares, bens imóveis da EFMM, saúde pública pós-nacionalização, energia elétrica, museu ferroviário, as três caixas-d’água, o marco das coordenadas geográficas, o bairro Caiari, sítios históricos de Santo Antônio do rio Madeira, inscrições rupestres, lojas maçônicas, cemitérios, colégios, prédios públicos, bairros periféricos (Triângulo e Alto do Bode por exemplo), igrejas, museus, bibliotecas  e espaços culturais.

MARCO DIVISÓRIO

Pesquisando Viriato Correia, famoso narrador de “histórias que a história não conta”, Yêdda encontrou documento com a planta do marco divisório principal, de argamassa de cimento e areia, situado entre os Estados do Amazonas e Mato Grosso, próximo à extinta cachoeira de Santo Antônio, alagada pela hidrelétrica com o mesmo nome. “Ele não se chama Marco Rondon, mas há pessoas que espalham isso”.

O termo de inauguração, em 10 de janeiro de 1911, foi assinado pelo major Alípio Gama e pelo tenente-coronel Felinto Alcino Braga Cavalcante, chefes das comissões de Mato Grosso e Amazonas, respectivamente. Eram governadores o coronel Antônio Clemente Ribeiro Bittencourt (Amazonas) e o coronel Pedro Celestino Corrêa da Costa (Mato Grosso).